A presença de mulheres na política ainda é tratada, muitas vezes, como número para cumprir cota. Mas a pergunta que realmente incomoda é outra: quando mulheres ocupam espaços de poder, as decisões mudam de verdade? A resposta não agrada a todos, porque escancara desigualdades históricas e mexe em estruturas consolidadas.
Em entrevista concedida à Elisama Gomes, a deputada estadual Janaína Riva foi direta ao abordar o tema. Para ela, a representatividade feminina não é simbólica, é prática, e interfere sim nas prioridades políticas, nos projetos apresentados e na forma como o poder é exercido.
Segundo a parlamentar, quando mulheres chegam aos espaços de decisão, temas antes considerados secundários passam a ser tratados como urgentes. Violência doméstica, proteção social, saúde da mulher, infância, educação e políticas de cuidado deixam de ser pautas periféricas e entram no centro do debate. Isso gera incômodo, porque expõe a ausência histórica dessas discussões quando o poder esteve majoritariamente nas mãos de homens.
Outro ponto forte levantado é que mulheres na política costumam enfrentar mais resistência, cobranças e julgamentos. Enquanto erros masculinos são relativizados, falhas femininas são amplificadas. Ainda assim, essa pressão constante faz com que muitas mulheres atuem com mais preparo, estratégia e responsabilidade, justamente para não reforçar estigmas impostos pelo próprio sistema político.
A entrevista também traz uma reflexão polêmica: a falta de mulheres em cargos de poder não é falta de interesse, é falta de espaço. Estruturas partidárias, financiamentos de campanha e decisões internas ainda favorecem majoritariamente homens, dificultando o avanço feminino. Para Janaína, não basta incentivar mulheres a se candidatarem, é preciso mudar o jogo onde as decisões realmente acontecem.
Representatividade feminina não garante unanimidade nem perfeição, mas altera o rumo das discussões. Quando mulheres decidem, o olhar se amplia, as prioridades se diversificam e o impacto social tende a ser maior. Ignorar isso é manter um modelo político que já se mostrou insuficiente para atender a toda a população.
Mais do que ocupar cadeiras, mulheres na política desafiam padrões, expõem desigualdades e forçam o poder a olhar para realidades que sempre existiram, mas foram convenientemente ignoradas.
Confira a entrevista completa com Janaína Riva no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=GLFfKYCJEq0&t=8s
Por Elisama de Sousa Silva Gomes
Comunicadora | PodPink